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CELIBATO OU EUCARISTIA?

A Páscoa para as cristãs e os cristãos celebra-se a cada domingo, chamados, assim, ao alimento que nos levará a todas as periferias da vida. Trata-se tão somente de no pão e no vinho partilhados – a presença real de Jesus Ressurreto -, obtermos a Graça de estilhaçar as periferias existentes nas nossas cabeças e partir levando a Eucaristia – ponto central da vida cristã -, às vielas e aos becos da nossa existência. Pela Eucaristia encontramo-nos com o Senhor das nossas vidas, sem ela fica amputada a Ressurreição do Senhor. Cada domingo é uma Páscoa florida, onde todos nos encontramos com todos, nos encontramos connosco e com a Criação, na encarnação do Criador. A Páscoa não é anual, é semanal, é em cada dia, por muito que regras digam ou se pressinta o contrário. As mulheres e os homens unidos e sem “descartes” de sexo ou de situação civil – civil, casado ou outro -, ao celebrarem a morte e a ressurreição do Senhor Jesus, não cometem um atropelo de morte ao constante quotidiano das suas vidas. Não morrem, mas ressuscitam, possuem um “bem-viver” no Evangelho que se constrói e descobre em cada ato, em cada significado, em cada sujeito, que se torna missionário no Verbo.

O celibato dos padres é uma medida disciplinar e que não é uniforme em todas as confissões em comunhão com Roma, nem em outras tradições cristãs. Mesmo a palavra “padre” não é a mais adequada, e com a palavra “sacerdote” quase se pretende a volta do Antigo Testamento, e todos possuímos o “sacerdócio comum dos fiéis”. A palavra mais consistente – no meu parecer! – é a presbítero, que pode de acordo com a mesma doutrina realizar os atos sacramentais da reconciliação, unção dos doentes e sacramento da eucaristia, o que significa que se há padre também há eucaristia, reconciliação e unção dos enfermos, se não há, nada disto acontece. A Igreja fica amputada, melhor está amputada do sacramento principal da eucaristia, da própria iniciação cristã. Mas mesmo que homens casados pudessem ser ordenados, se não existissem homens naquele momento, não existiria porque às mulheres é vedado. Dizem, não há vocações, ou seja, não existem homens e mulheres que amam Jesus Cristo, com formação competente e prontos a ser ordenados? Se é isso, muito mal vai a Igreja. Mas não é, é uma até agora incorrigível teimosia “disciplinar” que o impede; mesmo que essa “disciplina” permita filhos sem pai, mulheres sem marido, porque são padres.

Cabe aqui num parêntesis que coloque a questão da “unção dos doentes” quando estes estão em entrar na Vida Eterna e necessitam do consolo da “unção”, vamos ter que rezar muito para a morte só vir quando padre existir. Nem os diáconos o podem fazer, por uma questão unicamente disciplinar. Morre-se mal, mas cumpriram-se as regras!
Tudo que acabo de dizer tem uma conclusão para a hierarquia da Igreja: o primado da lei sobre o amor, o primado do celibato dos padres sobre a eucaristia. Mais importante é ter padres celibatários, do que a Eucaristia, o centro da Vida Cristã, o dom gratuito da Graça nas mãos de cada cristã e de cada cristão. Uma hierarquia da igreja que prefere colocar o homem ao serviço do sábado, e não o sábado ao serviço do homem. Não se compreende que o celibato dos padres seja superior ao centro da Vida, que é a Eucaristia. Uma medida humana que se sobrepõe à vontade de Jesus, que distribuiu o pão e o vinho numa mesa comum a todos. E não é conclusivo que nessa mesa estivessem só homens, e muito menos
que a maioria não fossem casados.

A recente exortação apostólica pós sinodal “Querida Amazónia”, que contém quatro sonhos e se substancia na poesia também, é no seu conteúdo uma expressão de liberdade de pensamento e de um olhar quase único para as questões sociais, culturais e ambientais, para ser lido refletido e colocado em ação, não só na Amazónia, mas em todo o mundo. E desiludam-se aqueles que leem nesta exortação um fechar de portas ao casamento dos presbíteros ou à ordenação de mulheres. Não é verdade! Fecha sim e, claramente, à clericalização, isto é, ao clericalismo dos poderes, ao mando já trôpego – para a nossa cultura -, de quem pensa que Jesus é o papão, capaz de não ser amor e misericórdia.

Todas e todos os que pensamos em servir e não em poder, nos sentimos tristes e infelizes por o bispo de Roma não assumir o fim da obrigatoriedade do celibato dos homens dedicados a Deus e a ordenação das mulheres. De facto, não o assumiu com clareza profunda, mas também não afirma que o CELIBATO é de uma importância superior à EUCARISTIA. O celibato obrigatório acabará, a EUCARISTIA não!

Joaquim Armindo
Diácono – Porto – Portugal

Por J-12-M

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