DOS DIÁCONOS SERVIDORES DA HUMANIDADE

DOS DIÁCONOS SERVIDORES DA HUMANIDADE

Na altura em que escrevo este artigo, 1/12/2020, duas notícias são importantes dar. A primeira, e a mais importante, é a do diácono Luís Galante, da Diocese do Algarve, Portugal, estar a assumir um trabalho essencial em duas paróquias rurais, de Estoi e de Santa Bárbara de Nexe, e os respetivos centros paroquiais e sociais, para as quais foi chamado pelo bispo do Algarve, para presidir. A segunda, que hoje se realizou, via ZOOM, o Encontro Nacional dos Diáconos em Portugal. Um encontro com os temas decididos pelos respetivos bispos e, onde, alguns diáconos fizeram algumas perguntas. Tudo aconteceu como se diz “na boa”, e ficamos felizes e alegres, porque bispos e padres estiveram presentes e ditaram as leis que pensam serem as melhores para os diáconos, e ninguém leva a mal por isso, é o que pensam e têm a legitimidade para agir. Neste encontro falaram os bispos num documento sobre o diaconado permanente, que ao que parece irá ser distribuído pelos delegados episcopais de cada diocese. Fiquei com a ideia que será um documento acabado e, mesmo, que não seja, já o é.

O advogado, de profissão, diácono a quase todo o tempo, em declarações à Agência Ecclesia, afirma que a sua missão na Diocese do Algarve “é servir a Igreja onde é preciso servir”, que é necessário ir de encontro aos mais carenciados e atender aos novos desafios pastorais. Segundo ele, “O ministério dos diáconos surgiu para servir às mesas, para servir aqueles que eram mais carenciados e precisavam do apoio social da altura. Agora, esse servir às mesas é uma coisa mais alargada, pode ser acolher crianças num infantário, acolher idosos em lares, visitar famílias e idosos nos seus domicílios. E pode ser coordenar todo o trabalho de profissionais para fazer esse serviço”. Mas, ainda, trabalha no Tribunal da Diocese, naquilo que é necessário. O que não se vê em Portugal é o assumir de funções de presidência de centros paroquiais e sociais, o que ele faz, e, isso, torna-se uma novidade; pois: que o padre assuma todas as decisões, em todos os assuntos, mesmo que nada saiba deles. Uma característica que se observou em Portugal é, por exemplo, um livro que foi publicado acerca do assunto dos “recasados”, onde o diácono é falado uma vez, para dizer que na eucaristia é ele a proclamar o Evangelho, o resto é com o padre, que, penso, não saberá melhor que o diácono o que é ser casado e ter filhos. Ou sabe? Nada me admira que saiba, porque pode-os ter, mesmo no “escondidinho” (permitam este parêntesis: aquilo que defendo é o celibato não seja obrigatório). Mas a situação do Luís Galante é singular, talvez porque não existam o que chamam “vocações”. O diácono não existe porque faltam vocações para padre, mas sim, porque faz parte da organização da igreja que os seguidores de Jesus quiseram que assim fosse, mas que neste momento da falta de padres dá jeito, lá isso dá. E estamos todos de acordo. Já não estaremos se o diácono se tornar clerical, servo dos poderes em vez de servo dos servos. O Luís Galante demonstra à saciedade o que pode ser um diácono ao serviço dos outros, dos mais marginalizados e, mais, que pode obstar a que os poderes eclesiásticos se continuem a abater sobre a Igreja destruindo-a, colocando-a como se fora um “serviço militar”.

O encontro de que falei, é igual a todos os outros, exceto que os senhores bispos portugueses possuem um documento, que – como já disse -, não sei se é mais um “código” para ser observado, ou se irá à reflexão geral e “sem medo” de todos os diáconos. Eu digo “sem medo”, porque vejo diáconos que têm medo dos superiores, que sancionam o seu trabalho, a saber os bispos e os padres, que são clericalistas, não aqueles que estão ao serviço. Muito pouco tenho assistido e participado onde os diáconos intervêm, isso é com eles…os padres, e nós cumprimos. Não é falta de lealdade da nossa parte a reflexão de discórdia, é no diálogo franco e aberto que o Espírito do Senhor atua, se não for assim ausenta-se, que convenhamos é o que faz melhor. Os temas destes encontros, ou os da dita “formação permanente” são ditados, ninguém pergunta nada a ninguém, destruindo, assim, a corresponsabilidade e a sinodalidade. Por mais agrestes que sejam os temas, eles não devem ser descurados. Assim diz Francisco, bispo de Roma e papa, diz: falem, digam, escutem, não se metam na concha dos poderes. Mas, já nem ouvimos Francisco, ele que fale e diga; nós cá, faremos o que quisermos fazer.

Hoje escrevi sobre duas situações, uma que me alegrei, pelo diácono Luís Galante e outra que me entristeceu, não porque os bispos não sorrissem, mas porque tomam as decisões lá do alto. Há uma catedral onde o bispo aparece acima do altar, como símbolo do poder, e os diáconos que o acompanham ficam sentados em dois banquitos, mas longe do “altar do bispo”. Ainda não percebeu a hierarquia que o necessário é sair, é ir ao encontro do outro, estar com ele, não só em ceias organizadas pelo Natal, mas no quotidiano da sua vida e deixarem os altares dos templos, construídos para eles.

Assim, faria Jesus, mas, também, assim, fez o diácono Francisco de Assis!

Joaquim Armindo
Pós- doutorando em Teologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental
Diácono – Porto – Portugal

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